domingo, 25 de novembro de 2007

Olá Mundo!

Era quarta-feira e o dia amanheceu com o sol tímido típico de Novembro. A manhã estava fria e eu tinha dormido pouco. A ansiedade que tomava conta de mim instalara-se há já uma semana e levantei-me cedo.
Demorei-me na contemplação daquele quarto e acariciei os móveis e acessórios cuidadosamente adquiridos nos últimos meses.
Dediquei-me aos rituais de higiene matinal e verifiquei, pela milésima vez, a mala que nos dois últimos meses fazia e refazia, e enchia de amor e de medos. Saímos.
Apresentei-me às nove horas da manhã e logo depois chegou a minha mãe, ainda mais ansiosa que eu.
Fui vista, revista, respondi a todas as perguntas e fiz poucas. Julgava já saber o que havia a saber, que dos pormenores se encarrega o destino e, que a ignorância é muitas vezes confortável.
Surpreendeu-me que aparecesse uma amiga. Acompanhara-me com mais frequência nos últimos meses e, viria a tornar-se na amiga mais presente neste caminho que percorremos e a que chamamos vida. Passeou e conversou comigo, e quando tive fome fomos comer uma bola de berlim.
As horas demoravam a passar, os medos aumentavam. Rendi-me. Despedi-me da minha amiga e disse até já aos outros. Entrei.
Despiram-me, deitaram-me, mexeram-me mais um bocado e deixaram-me só, com as dores e a agonia. De tempos a tempos vinha alguém ver como evoluía, até que finalmente me espetaram a agulha e a existência se tornou suportável.
Passaram mais horas e chegou o momento:
- Força! Agora! Força!!!
Obedeci como podia, mas eras demasiado grande. Senti o frio do metal dos instrumentos e, de repente, um alívio delirante. Senti o teu calor a pousar-me no ventre. Eras lilás. Assustei-me, ninguém me tinha avisado! Mas disseram que estava tudo bem, puseram-te uma pulseira cor de rosa e levaram-te para te limpar.
Eram 18:50h, há quinze anos atrás. Tinhas quatro quilos e cinquenta e dois centímetros.
Trouxeram-te de volta e aninharam-te nos meus braços. Contemplei-te embevecida e com todo o amor que emanava do meu ser disse-te baixinho:
- Olá mundo!

7 comentários:

Leila* disse...

Lindo! A tua descrição fez-me arrepiar. Parabéns à mãe e à filhota =)

Beijinhos**

Anónimo disse...

Com essa da bola de berlim...pois é já lá vão 15 anos, agora já não devemos comer bolas de berlim, né??
Foi um belo passeio, devo dizer, esse e todos os outros que damosas duas por essa vida fora.
è muito bom termos estas coisitas para partilhar.

Beijos

medusasss disse...

Muitos parabéns Maga! :) E feliz aniversário para a tua filhota! :)
Beijinhos!

Rafeiro Perfumado disse...

Parabéns para ti, mamã babada, e para o teu rebento!

beijoca!

Hydrargirum disse...

Que texto e tributo tão bonitos:)...
Os maiores Parabéns e mil jinhos em ti Maga e no teu Mundo:)

Xuxu disse...

Oh mãe fiquei emocionada ( ': custou .. Eu sei q sim ! Os desgostos, tristezas, desilusões, trabalhos e vergonhas q já te dei. Os momentos dificeis q te proporcionei .. Mas sabes? Acho q tudo isso foi compensado. Podes ter a certeza q te devo tudo. Que te venero, admiro e AMO mais q qualquer outra coisa neste mundo. Sem ti não sei o q faria, não saberia como sorrir, dormir, viver!
És o meu apoio, q não me deixa caír. És a minha barreira q me protege das coisas malignas. És o ombro de consolo. São as tuas mãos q aperto nos momentos dolorosos, ou q me deixam nervosa. É o teu nome q chamo qnd estou em apuros. É em ti q penso quando se trata de amor. É o teu exemplo q qero seguir.

Mãe és a minha vida. Amo-te amo-te amo-te amo-te e vou amar-te sempre. Obrigada por me trazeres a este mundo e por me fazeres feliz (': (estou a chorar só por acaso) AMO-TE !

Maga disse...

Leila*: arrepia mesmo, podes crer! mas é um arrepio de prazer...
obrigada e volta sempre!

anónima do oeste: mas nós comemos bolas de berlim! mas pequeninas, né? ihihih... beijo!

Medusasss: um grande obrigado da mãe e da filha. beijo para ti!

Rafeiro: babo mesmo! e a filhota já rende aos encantos da nossa rafeira visita, por isso não te admires que te vá visitar também...

Hidra: obrigada e beijos de volta para ti, meus e do meu mundo.

Xuxu: amor, deixaste-me com a lágrima no canto do olho...
não preciso de dizer mais nada, tu já sabes tudo...